Os Credos e o catolicismo
A palavra Católico surge nos principais
credos (definições de fé semelhantes a preces) cristãos, nomeadamente no
Credo dos Apóstolos e no
Credo Niceno. Os cristãos da maior parte das igrejas, incluindo a maioria dos
protestantes, afirmam a sua fé "numa única santa Igreja católica e apostólica". Esta crença refere-se à sua crença na unidade última de todas as igrejas sob um
Deus e um
Salvador. No entanto, neste contexto, a palavra católico é usada pelos crentes num sentido definitivo (i.e., universal), e não como o nome de um corpo religioso. Neste tipo de uso, a palavra é geralmente escrita com c minúsculo, enquanto que o C maiúsculo se refere ao sentido descrito neste artigo.
História e Influência
A igreja cristã primitiva foi organizada sob cinco
patriarcas, os bispos de
Jerusalém,
Antióquia,
Alexandria,
Constantinopla e
Roma. O Bispo de Roma foi reconhecido pelos Patriarcas como "o primeiro entre iguais", embora o seu estatuto e influência tenha crescido quando Roma era a capital do império, com as disputas doutrinárias ou procedimentais a serem frequentemente remetidas a Roma para obter uma opinião. Mas quando a capital se mudou para Constantinopla, a sua influência diminuiu. Enquanto
Roma reclamava uma autoridade que, segundo a Igreja Católica, lhe provinha de
São Pedro (que, segundo a Igreja Católica Apostólica Romana, morreu em Roma e é considerado o primeiro papa e
São Paulo, Constantinopla tornara-se a residência do
Imperador e do
Senado. Uma série de dificuldades complexas (disputas doutrinárias, Concílios disputados, a evolução de ritos separados e se a posição do Papa de Roma era ou não de real autoridade ou apenas de respeito) levaram à divisão em
1054 que dividiu a Igreja entre a Igreja Católica no Ocidente e a
Igreja Ortodoxa no Leste (
Grécia,
Rússia e muitas das terras eslavas,
Anatólia,
Síria,
Egipto, etc.). A esta divisão chama-se o
Cisma do Oriente.
A grande divisão seguinte da Igreja Católica ocorreu no
século XVI com a
Reforma Protestante, durante a qual se formaram muitas das facções
Protestantes.
Mundo católico
Ver artigo principal:
Igreja Católica Apostólica Romana no mundoPercentagem de católicos no mundo.
No cristianismo ocidental, as principais fés a se considerarem "Católicas", para além da
Igreja Católica Apostólica Romana, são a a
Velha Igreja Católica, a
Igreja Católica Liberal, a
Associação Patriótica Católica Chinesa, as
Igrejas católicas brasileiras dissidentes e alguns elementos
anglicanos (os "Anglicanos da Alta Igreja", ou os "
Anglo-Católicos"). Estes grupos têm crenças e praticam rituais religiosos semelhantes aos do Catolicismo Romano, mas diferem substancialmente destes no que diz respeito ao estatuto, poder e influência do
Bispo de Roma.
As várias
Igrejas não-calcedonianas e
ortodoxas pensam em si próprias como igrejas Católicas no sentido de serem a
Igreja universal. As Igrejas ortodoxas vêem geralmente os "Católicos" Latinos como cismáticos heréticos que saíram da "verdadeira Igreja católica e apostólica" (veja
Grande Cisma). Os
Patriarcas ortodoxos são
hierarcas autocéfalos, o que significa, grosso-modo, que cada um deles é independente da supervisão directa de outro bispo (embora ainda estejam sujeitos ao todo do seu
sínodo de bispos). Não estão em comunhão com o Papa e não reconhecem a sua reivindicação à chefia da Igreja universal enquanto instituição terrena.
Mas, nem todas as
Igrejas orientais estão fora da comunhão católica. Existem também os chamados
Católicos de rito oriental, cuja
liturgia e estrutura hierárquica se assemelham à dos Ortodoxos, e que também permitem a ordenação de homens casados, mas que reconhecem o Papa Romano como chefe da sua igreja. Estes católicos orientais formam as chamadas
Igrejas Orientais Católicas sui juris.
Alguns grupos chamam a si próprios católicos, mas esse qualificativo é questionável: por exemplo, a
Igreja Católica Liberal, que se originou como uma dissensão da Velha Igreja Católica mas que incorporou tanta
teosofia na sua doutrina que já pouco tem em comum com o Catolicismo Romano.
Catolicismo Romano
Ver artigo principal:
Igreja CatólicaIgreja CatólicaA principal
denominação Católica é a "Santa Igreja Católica Apostólica", melhor conhecida como "Santa
Igreja Católica". Tem esse nome porque todos os seus aderentes estão em comunhão com o
Papa e
Bispo de Roma, e a maior parte das
paróquias seguem o
Rito Romano na prece, embora haja
outros ritos litúrgicos.
Organização e Cargos da Igreja Católica Romana
Vista da
Praça de São Pedro do topo da
Basílica de São Pedro, na
Cidade do VaticanoVer artigo principal:
Hierarquia católicaEstruturalmente, o Catolicismo Romano é uma das religiões mais centralizadas do mundo. O seu chefe, o Papa, governa-a desde a
Cidade do Vaticano, um estado independente no centro de Roma, também conhecido na
diplomacia internacional como a
Santa Sé. O Papa é seleccionado por um grupo de elite de Cardeais, conhecidos como Príncipes da Igreja. Só o Papa pode seleccionar e nomear todos os cléricos da Igreja acima do nível e padre. Todos os membros da hierarquia respondem perante o Papa e a sua corte papal, chamada
Cúria. Os Papas exercem o que é chamado
Infalibilidade Papal, isto é, o direito de definir declarações definitivas de ensinamento Católico Romano em matérias de fé e moral. Na realidade, desde a sua declaração no
Concílio do Vaticano I, em
1870, a infalibilidade papal só foi usada uma vez, pelo
Papa Pio XII, nos anos 50.
A autoridade do Papa vem da crença de que ele é o sucessor directo de S. Pedro e, como tal, o Vigário de Cristo na Terra. A Igreja tem uma estrutura hierárquica de títulos que são, em ordem descendente:
Papa, o bispo de Roma e também Patriarca do Ocidente. Os que o assistem e aconselham na liderança da igreja são os
Cardeais;
Patriarcas são chefes de algumas
Igrejas Católicas Orientais sui juris. Alguns dos grandes arcebispos
Católicos Latinos também são chamados Patriarcas; entre estes contam-se o Arcebispo de
Lisboa e o Arcebispo de
Veneza;
Bispo (
Arcebispo e
Bispo Sufragário): são os sucessores directos dos doze apóstolos. Receberam o todo das ordens sacramentais;
Padre (Monsenhor é um título honorário para um padre, que não dá quaisquer poderes sacramentais adicionais): inicialmente não havia Padres per se. Esta posição evoluiu a partir dos Bispos suburbanos que eram encarregados de distribuir os sacramentos mas não tinham jurisdição completa sobre os fiéis.
DiáconoExistem ainda cargos menores: Leitor e
Acólito (desde o
Concílio Vaticano Segundo, o cargo de sub-diácono deixou de existir). As ordens religiosas têm a sua própria hierarquia e títulos. Estes cargos tomados em conjunto constituem o
clero e no rito ocidental só podem ser ocupados, normalmente, por homens solteiros. No entanto, no rito oriental, os homens casados são admitidos como padres diocesanos, mas não como bispos ou padres monásticos; e em raras ocasiões, permitiu-se que padres casados que se converteram a partir de outros grupos cristãos fossem ordenados no rito ocidental. No rito ocidental, os homens casados podem ser ordenados diáconos permanentes, mas não podem voltar a casar se a esposa morrer ou se o casamento for anulado.
O Papa é eleito pelo Colégio dos Cardeais de entre os próprios membros do Colégio (o processo de eleição, que tem lugar na
Capela Sistina, é chamado
Conclave). Cada Papa continua no cargo até que morra ou até que abdique (o que só aconteceu duas vezes, e nunca desde a
Idade Média).
Doutrinas distintivas
Ver artigo principal:
Doutrina da Igreja CatólicaA doutrina oficial da Igreja Católica é o conjunto de
crenças oficiais professadas pela Igreja Católica acerca de diversos aspectos relativos a
Deus, ao
homem e ao
mundo. Segundo a Igreja, essas
verdades foram sendo
reveladas por Deus através dos tempos (nomeadamente ao longo do
Antigo Testamento), atingindo a sua plenitude em
Jesus Cristo, considerado pelos
católicos e
cristãos como o
Filho de Deus, o
Messias e o
Salvador do mundo e da humanidade. Mas, a definição e compreensão dessa doutrina é progressiva, necessitando por isso do constante estudo e reflexão da
Teologia, mas sempre fiel à
Revelação divina e orientada pelo
Magistério da Igreja Católica. A doutrina Católica está expressa e resumida no
Credo dos Apóstolos, no
Credo Niceno-Constantinopolitano e, actualmente, no
Catecismo da Igreja Católica e no seu
Compêndio.
Entrada principal da
Catedral de Notre-Dame em
Paris.
Com estes estudos teológicos todos, a Igreja vai-se gradualmente instituindo os seus
dogmas, que é a base da doutrina oficial, sendo o último dogma (o da
Assunção da Virgem Maria) proclamado solenemente apenas em
1950. Para os católicos, um dos dogmas mais importantes é o da
Santíssima Trindade, que, não violando o
monoteísmo, professa que Deus é simultaneamente uno (porque, em essência, só existe um Deus) e trino (porque está pessoalizado em três pessoas:
o Pai,
o Filho e o
Espírito Santo, que se estabelecem entre si uma comunhão perfeita). Estas 3 Pessoas eternas, apesar de possuirem a mesma natureza, "são realmente distintas". Logo, muitas vezes, certas actividades e
atributos divinos são mais reconhecidas (mas não exclusivamente realizadas) em uma Pessoa do que em outra. Como por exemplo, a
criação divina do mundo está mais associado a
Deus Pai; a salvação do mundo a
Jesus,
Filho de Deus; e a protecção, guia,
purificação e santificação da Igreja ao
Espírito Santo [2].
A doutrina professa também a divindade de Jesus, que seria a segunda pessoa da Trindade, e que a nossa
salvação deve-se, para além da
graça divina, ao Seu supremo e voluntário
Sacrifício e Paixão na cruz. Este tão grande
sacrifício deveu-se à vontade e ao infinito
amor de Deus, que quis salvar toda a humanidade. Além disso, é também fundamental para a salvação a adesão livre do crente à
fé em Jesus Cristo e aos Seus ensinamentos, porque a nossa
liberdade, como um dom divino, é respeitado por Deus, o nosso Criador. Esta fé leva à
conversão das pessoas e à prática das
boas obras (que nos afastam do
pecado e nos ajudam a crescer na
caridade), nomeadamente o acto de amar a Deus acima de todas as coisas (Mt 22,37) e também o de amar ao próximo como a si mesmo (Mt 22,39). Estes dois actos
virtuosos, juntamente com o acto de amar uns aos outros como Jesus nos ama (Jo 15,10), são justamente os
mandamentos de Amor que Jesus deu aos seus discípulos e à humanidade. Estes mandamentos radicais constituem o resumo de "toda a Lei e os
Profetas" do
Antigo Testamento (Mt 22,40)
[3].
Nas suas muitas pregações, Jesus Cristo ensinou, para além dos seus mandamentos de Amor, as
bem-aventuranças e insistiu sempre «que o
Reino de Deus está próximo» (Mt 10,7) e que
Deus estava preparando a Terra para um novo estado de coisas. Anunciou também que quem quisesse fazer parte do
Reino de Deus teria de nascer de novo, de se arrepender dos seus
pecados, de se converter e purificar. Jesus ensinava também que o
poder, a
graça e a
misericórdia de
Deus era maior que o
pecado e todas as forças do
mal, insistindo por isso que o
arrependimento sincero dos
pecados e a
fé em Deus podem salvar os homens
[4]. Este misterioso Reino de Deus, que só se irá realizar-se na sua plenitude no
fim do mundo, está já presente na Terra através da Igreja, que é o seu semente. A Igreja ensina que neste Reino, o
Mal será inexistente e os homens salvos e justos, após a
ressurreição dos mortos e o fim do mundo, passarão a viver eternamente em Deus, com Deus e junto de Deus.
Mais concretamente, a
fé em Cristo (e em Deus) inclui a adesão do crente à
doutrina por Ele revelada e transmitida pela
Igreja, bem como ao conjunto de regras de vida propostas por essa mesma Igreja. Os católicos professam que a Igreja é o
Corpus Mysticum, onde Cristo seria a Cabeça e eles (os fiéis) membros deste corpo único, inquebrável e divino. Este Corpo místico tem por função reunir toda a humanidade para o seu caminho de
santificação, que tem o seu fim na
vida eterna, na realização final do
Reino de Deus e no alcance da
santidade. A Igreja ensina também que os cristãos não-católicos também pertencem, apesar de um modo imperfeito, ao Corpo Místico, visto que tornaram-se uma parte inseparável Dele através do
Baptismo.
[
editar] Divergências com as outras Igrejas cristãs
Os pontos de vista católicos diferem dos
ortodoxos em alguns pontos, incluindo a natureza do Ministério de S. Pedro (o Papado), a natureza da
Trindade e o modo como ela deve ser expressa no
Credo Niceno-Constantinopolitano, e o entendimento da
salvação e do
arrependimento. Os católicos divergem dos
protestantes em vários pontos, incluindo a necessidade da
penitência, o significado da comunhão, a composição do
Cânone das Escrituras,a veneração de imagens, o culto e a crença em maria e nos santos como mediadora entre o homem e Jesus, o
purgatório e o modo como se atinge a
salvação:
Os protestantes acreditam que a
salvação se atinge apenas através da fé e arrependimento, ao passo que os católicos acreditavam que a salvação também vinha por boas obras. Esta divergência levou a um conflito sobre a doutrina da
justificação (na
Reforma ensinava-se que "nós justificamos apenas pela fé"). O
diálogo ecuménico moderno levou a alguns consensos sobre a
doutrina da justificação entre os católicos e os
luteranos,
anglicanos e outros.
Mandamentos da Igreja
1- Participar da
Missa inteira nos domingos e festas de guarda.
No Brasil os dias santos de guarda são:
Santa Maria, Mãe de Deus - 01 de
janeiroSantíssimo Corpo e Sangue de Cristo (
Corpus Christi) - data variável entre
maio e
junho:
Imaculada Conceição de Maria - 08 de
dezembroNatal de Nosso Senhor Jesus Cristo -
25 de dezembroPáscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo - Ocorre sempre entre 22 de
março e 25 de
abril.
2- Confessar-se ao menos uma vez por ano.
3- Comungar ao menos pela
Páscoa da Ressurreição.
4- Jejuar e abster-se de carne quando manda a Igreja.
Jejum:
Quarta-feira de cinzas e
Sexta-feira Santa.
Abstinência de carne:
Quarta-feira de cinzas e sextas-feiras da quaresma.
5- Contribuir com o
Dízimo segundo está escrito na Bíblia Sagrada.
[5]LITURGIA E PRECE
Ver artigo principal:
Liturgia e
Culto cristãoO acto de
prece mais importante na Igreja Católica Romana é a
liturgia Eucarística, normalmente chamada
Missa. A missa é celebrada todos os domingos de manhã na maioria das paróquias Católicas Romanas; no entanto, os católicos podem cumprir as suas obrigações dominicais se forem à missa no sábado à noite. Os católicos devem também rezar missa cerca de dez dias adicionais por ano, chamados
Dias Santos de Obrigação. Missas adicionais podem ser celebradas em qualquer dia do ano litúrgico, excepto na
Sexta-feira Santa. Muitas igrejas têm missas diárias. A
missa contemporânea é composta por duas partes principais: a
Liturgia da Palavra e a
Liturgia Eucarística. Durante a Liturgia da Palavra, são lidas em voz alta uma ou mais passagens da Bíblia, acto desempenhado por um Leitor (um leigo da igreja) ou pelo padre ou diácono. O padre ou diácono lê sempre as leituras do
Evangelho e pode também ler de outras partes da Bíblia (burante a primeira, segunda, terceira, etc. leituras). Depois de concluídas as leituras, é rezada a homilia (que se assemelha ao sermão protestante) por um padre ou diácono. Nas missas rezadas aos domingos e dias de festa, é professado por todos os católicos presentes o
Credo Niceno-Constantinopolitano, que afirma as crenças ortodoxas do catolicismo. Segue então a []Liturgia Eucarística]], que nada mais é do que a Missa em seu sentido estrito. Nela, o pão e o vinho oferecidos, segundo o
dogma católico da
transubstanciação, se tornam realmente o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo.
O
movimento de reforma litúrgica tem sido responsável nos últimos quarenta anos por uma convergência significativa das práticas predicamentais do Rito Latino com as das igrejas protestantes, afastando-as das dos outros ritos católicos, não-latinos. Uma característica dos novos pontos de vista litúrgicos tem sido um "regresso às fontes", que se diz que tem origem na redescoberta de antigos textos e práticas litúrgicas, bem como muitas práticas novas. As reformas litúrgicas pós-conciliares (pós-Vaticano II) incluem o uso da língua
vernacular (local), uma maior ênfase na Liturgia da Palavra, e a clarificação do simbolismo. A característica mais visível das reformas é a postura do padre. No passado, o padre virava-se para o altar, de costas para a congregação. As reformas fizeram com que o padre se voltasse para o povo, separado dele pelo altar. Isto simboliza o desejo de que a missa se torne mais centrada nas pessoas. Há, todavia, críticos que não concordam com a natureza da mussa pós-Vaticano II (conhecida por vezes como
Novus Ordo Missae). Em
2003 foi revelado que a
Missa Tridentina pré-Vaticano II estava de novo a ser celebrada na
Basílica de S. Pedro (embora não no altar principal) e que o
Papa João Paulo II começou a celebrar Missas Tridentinas na sua capela privada no Palácio Apostólico, no
Vaticano.
Sacramentos
Ver artigo principal:
Sacramentos católicosA prática da Igreja Católica consiste em sete
sacramentos (veja também
Sacramentos Católicos):
Baptismo,
Confissão,
Eucaristia,
Confirmação ou
Crisma,
Sagrado Matrimónio,
Ordenação, e
Unção dos Enfermos.
Dentro da fé Católica, os sacramentos são gestos e palavras de Cristo que concedem graça santificadora sobre quem os recebe. O Baptismo é dado às
crianças e a convertidos adultos que não tenham sido antes baptisados validamente (o baptismo da maior parte das igrejas cristãs é considerado válido pela Igreja Católica visto que se considera que o efeito chega directamente de Deus independentemente da fé pessoal, embora não da intenção, do sacerdote). A Confissão ou reconciliação envolve a admissão de pecados perante um padre e o recebimento de penitências (tarefas a desempenhar a fim de alcançar a absolvição ou o perdão de Deus). A Eucaristia (Comunhão) é o sacrifício de Cristo marcado pela partilha do Corpo de Cristo e do Sangue de Cristo que se considera que substituem em tudo menos na aparência o pão e o vinho utilizados na cerimónia. A crença católica romana de que pão e vinho são transformados no Corpo e no Sangue de
Cristo chama-se
transubstanciação. No sacramento da Confirmação, o presente do Espírito Santo que é dado no baptismo é "fortalecido e aprofundado" (veja o Catecismo da Igreja Católica, para. 1303) através da imposição de mãos e da unção com óleo. Na maior parte das igrejas de Rito Latino, este sacramento é presidido por um bispo e tem lugar no início da idade adulta. Nas Igrejas Católicas Orientais (ver abaixo) o sacramento da
crisma é geralmente executado por um padre imediatamente depois do baptismo. As Ordens Sagradas recebem-se ao entrar para o sacerdócio e envolvem um
voto de
castidade. O sacramento das Ordens Sagradas é dado em três graus: o do diácono (desde Vaticano II um diácono permanente pode ser casado antes de se tornar diácono), o de padre e o de bispo. A unção dos doentes era conhecida como "extrema unção" ou "último sacramento". Envolve a unção de um doente com um óleo sagrado abençoado especificamente para esse fim e já não está limitada aos doentes graves e aos moribundos.
Organização por região
Ver artigo principal:
Igreja particularA Igreja Católica está presente em virtualmente todas as nações do planeta. Está organizada em
hierarquias nacionais com
bispos diocesanos sujeitos a
arcebispos. Colégios, ou Conferências Nacionais, de bispos coordenam a política local dentro dos países ou de grupos de países.
A unidade geográfica e organizacional fundamental da Igreja Católica é a
diocese (nas Igrejas Católicas do Oriente, a unidade equivalente chama-se
eparquia). Esta corresponde geralmente a uma área geográfica definida, centrada numa cidade principal, e é chefiada por um bispo. A igreja central de uma diocese recebe o nome de
catedral, da cátedra, ou cadeira, do bispo, que é um dos símbolos principais do seu cargo.. Dentro da diocese, o bispo exerce aquilo que é conhecido como um ordinário, ou seja, a autoridade administrativa principal. (As sedes de algumas
ordens religiosas são semi-independentes das dioceses a que pertencem; o superior religioso da ordem exerce jurisdição ordinária sobre elas.) Embora o Papa nomeie bispos e avalie o seu desempenho, e exista uma série de outras instituições que governam ou supervisionam certas actividades, um bispo tem bastante independência na administração de uma diocese. Algumas dioceses, geralmente centradas em cidades grandes e importantes, são chamadas
arquidioceses e são chefiadas por um
arcebispo. Em grandes dioceses e arquidioceses, o bispo é frequentemente assistido por bispos auxiliares, bispos integrais e membros do Colégio dos Bispos que não chefiam a sua própria diocese. Arcebispos, bispos sufragários (designação frequentemente abreviada simplesmente para "bispos"), e bispos auxiliares, são igualmente bispos; os títulos diferentes indicam apenas que tipo de unidade eclesiástica chefiam. Muitos países têm vicariatos que apoiam as suas forças armadas (ver
Ordinariato Militar).
Quase todas as dioceses estavam organizadas em grupos conhecidos como
províncias, cada uma das quais era chefiada por um arcebispo. Embora as províncias continuem a existir, o seu papel foi substituído quase por completo por conferências de bispos, geralmente constituídas por todas as dioceses de um determinado país ou grupo de países. Estes grupos lidam com um vasto conjunto de assuntos comuns, incluindo a supervisão de textos e práticas litúrgicas para os grupos culturais e linguísticos da área, e as relações com os governos locais. A autoridade destas conferências para restringir as actividades de bispos individuais é, no entanto, limitada (os teólogos tradicionais consideram esta autoridade basicamente irrestrita). As conferências de bispos começaram a surgir no princípio do
século XX e foram oficialmente reconhecidas no Concílio Vaticano Segundo, no documento
Christus Dominus.
O Colégio dos Cardeais é o conjunto dos bispos católicos romanos que são conselheiros especiais do Papa. Qualquer padre pode ser nomeado Cardeal, desde que se "distinga em fé, moral e piedade". Se um cardeal que ainda não tiver sido ordenado bispo for eleito Papa, deverá receber a ordenação episcopal mais tarde. (ver a Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis
[6]). Todos os cardeais com menos de 80 anos têm o direito de eleger um novo papa depois da morte do seu predecessor. Os cardeais eleitores são quase sempre membros do clero, mas no entanto o Papa concedeu no passado a membros destacados do laicado católico (por exemplo, a teólogos) lugares de membro do Colégio, após ultrapassarem a idade eleitoral. A cada cardeal é atribuída uma igreja ou capela (e daí a classificação em bispo cardeal, padre cardeal e diácono cardeal) em Roma para fazer dele membro do clero da cidade. Muitos dos cardeais servem na
cúria, que assiste o Papa na administração da Igreja. Todos os cardeais que não são residentes em Roma são bispos diocesanos.
As dioceses são divididas em distritos locais chamadas
paróquias. Todos os católicos devem frequentar e suportar a sua igreja paroquiana local. Ao mesmo tempo que a Igreja Católica desenvolveu um sistema elaborado de governo global, o catolicismo de dia a dia é vivido na comunidade local, unida em prece na paróquia local. As paróquias são em grande medida auto-suficientes; uma igreja, frequentemente situada numa comunidade pobre ou em crescimento, que é sustentada por uma diocese, é chamada "missão".
A Igreja Católica Romana sustenta muitas ordens (grupos) de
monges e freiras que são principalmente não-padres que vivem vidas especialmente devotadas a servir Deus. São pessoas que se juntaram sob um determinado sistema a fim de atingir a perfeição e a virtude. Estes sistemas por vezes implicam a separação do mundo para meditar, outras a participação excepcional no mundo, frequentemente através da prestação de serviços médicos ou educacionais. Quase todos os monges e freiras tomam votos de pobreza (nenhuma ou limitada posse de propriedade ou dinheiro), castidade (nenhuma utilização dos órgãos sexuais) e obediência (aos seus superiores).
Igrejas sui juris e os seus ritos litúrgicos
Ver artigo principal:
Igreja particular sui jurisA Igreja Católica é uma comunhão de 24 Ritos autónomos (
sui juris) em
comunhão completa uns com os outros e em união com o
Papa na sua qualidade de Sumo Pontífice da Igreja Universal (apelidade "Pontífice de Roma" na
lei canónica). O Papa, na sua qualidade de Patriarca de Roma (ou Patriarca do Ocidente) é também o chefe da maior das Igrejas sui juris, a Igreja Latina (popularmente conhecida como "Igreja Católica Romana"). As restantes 23 Igrejas sui juris, conhecidas colectivamente como "Igrejas Católicas do Oriente", são governadas por um hierarca que ou é um Patriarca, ou um Arcebispo Principal, ou um Metropolita. A
Cúria Romana administra quer as igrejas orientais, quer a igreja ocidental. Devido a este sistema, é possível que um católico esteja em comunhão completa com o Pontífice de Roma sem ser um católico romano.
As Igrejas sui juris utilizam uma das seis tradições litúrgicas tradicionais (que emanam de Sés tradicionais de importância histórica), chamadas Ritos. Os ritos principais são o Romano, o Bizantino, o de Antióquia, o Alexandrino, o Caldeu e o Arménio (existem ainda dois Ritos Ocidentais menores, o
Rito Ambrosiano e o
Rito Moçárabe). O Rito Romano, usado pela Igreja Latina, é dominante em grande parte do mundo, e é usado pela vasta maioria dos católicos (cerca de 98%). Antigamente havia muitos ritos ocidentais menores, que foram substituídos pelo Rito Romano pelas reformas litúrgicas do
Concílio de Trento.
Historicamente, o Santo Sacrifício da Missa no Rito Romano (a "
Missa Tridentina") era conduzido inteiramente em
Latim eclesiástico, mas no
Concílio Vaticano Segundo, no início dos anos 60, foi promulgada uma nova versão da Missa (
Novus Ordo Missae), que é celebrada na língua vernacular (local). O serviço correspondente das Igrejas Católicas orientais, a Liturgia Divina, é conduzido em várias línguas litúrgicas, segundo o Rito e a Igreja: as Igrejas de Rito Bizantino usam o
grego, o
eslavónico, o
árabe, o
romeno e o
georgiano, as igrejas de Ritos Antioquiano e Caldeu usam o
siríaco, a Igreja de Rito Arménio usa o
arménio e as Igrejas de Rito Alexandrino usam o
copta e o
ge'ez.
Renovação Carismática
A
Renovação Carismática Católica (RCC) é um movimento católico surgido nos Estados Unidos em meados da década de 1960. Ele é voltado para a experiência pessoal com Deus, particularmente através do Espírito Santo e dos seus dons. Esse movimento busca dar uma nova abordagem às formas de evangelização e renovar práticas tradicionais dos ritos e da mística católicos. O movimento carismático católico foi influenciado em seu nascimento pelos movimentos pentecostais de origem protestante e até hoje esses dois grupos se assemelham em vários aspectos. No Brasil, o movimento tomou força através da Canção Nova, Comunidade de Vida e Aliança criada pelo então Padre Jonas Abib (hoje Monsenhor) na cidade de
Cachoeira Paulista para dar uma nova abordagem a temas polêmicos e morais e renovar conceitos já antigos da religião católica. Esse movimento ganhou força em meados dos anos 90 e já responde sozinho por grande parte dos católicos frequentantes no país. Possui um canal de televisão chamado
Canção Nova e é presidido pelo
Padre Jonas Abib.
Anglo-Catolicismo
Ver artigo principal:
Anglo-catolicismoO
Anglo-Catolicismo, sendo embora uma única igreja, está na prática dividido em dois ramos, os "Anglicanos da Alta Igreja", também chamados
Anglo-Católicos e os "Anglicanos da Baixa Igreja", também conhecidos como a facção
Evangélica. Embora todos os elementos da Comunhão Anglicana recitem os mesmos credos, os Anglicanos da Baixa Igreja tratam a palavra Católico no credo como um mero sinónimo antigo para universal, ao passo que os Anglicanos da Alta Igreja a tratam como o nome da igreja de Cristo à qual pertencem eles, a Igreja Católica Romana, e outras igrejas da
Sucessão Apostólica.
O Anglo-Catolicismo tem crenças e pratica rituais religiosos semelhantes aos do Catolicismo Romano. Os elementos semelhantes incluem a crença em sete sacramentos, a crença na
Transubstanciação e não na
Consubstanciação, a
devoção à
Virgem Maria e aos
santos, a descrição do seu clero ordenado como "padres", o vestir vestimentas próprias na liturgia da igreja, e por vezes até mesmo a descrição das suas celebrações
Eucarísticas como
Missa. A sua principal divergência do Catolicismo Romano reside no estatuto, poder e influência do Bispo de Roma.
O desenvolvimento da ala Anglo-Católica do Anglicanismo teve lugar principalmente no
Século XIX e está fortemente associado ao
Movimento de Oxford. Dois dos seus líderes,
John Henry Newman e
Henry Edward Manning, ambos ordenados cléricos anglicanos, acabaram por aderir à Igreja Católica Romana e por se tornarem
Cardeais.
Embora o termo Catolicismo seja geralmente usado para designar o Catolicismo Romano, muitos Anglo-Católicos usam-no para se referirem também a si próprios, como parte da Igreja Católica geral (e não apenas Romana). Na verdade, algumas igrejas anglicanas, como a
Catedral de St. Patrick em
Dublin ou a "Catedral Nacional" da
Igreja da Irlanda (anglicana), referem-se a si próprias como parte da "Comunhão Católica" e como "Igrejas Católicas" em anúncios dentro e em torno delas.
↑³ Tecnicamente, cada diocese opera independentemente das suas vizinhas, ao passo que as ordens religiosas de cada diocese não respondem ao bispo local nem se encontram sob o seu controlo. Consequentemente, as suspeitas sobre o comportamento de padres seculares (os que pertencem a uma diocese) nem sempre são transmitidas às outras dioceses ou a hospitais e escolas geridos pelas ordens religiosas, ao passo que os abusos dos padres religiosos (padres pertencentes a uma ordem religiosa) nem sempre eram transmitidos pela ordem respectiva às dioceses e às suas escolas. O exemplo mais notório destes factos envolveu o Frei
Brendan Smyth, um padre da Ordem Norbertina na irlanda, cujas actividades (conhecidas desde 1945) não foram relatadas ao clero diocesano e muito menos à polícia. Em 1994, Brendan Smyth deu-se como culpado de uma amostra de 17 acusações de abuso sexual de crianças em Belfast, retirada de uma lista muito maior. Várias dioceses, o Cardeal Arcebispo de Armagh e a ordem de Smyth culparam-se uns aos outros publicamente, sem assumir as suas próprias responsabilidades, pelo falhanço em pôr travão a Smyth ao longo de 47 anos.